domingo, 27 de março de 2016

12, 24 ou 36 poses? Ou 15 megapixels?

12, 24 ou 36 poses? Ou 15 megapixels?

Imagem 1
Desde os primórdios a fotografia, ou melhor, as pinturas rupestres sempre forma uma representação da realidade, ou seja, eram pinturas que retratavam fielmente a realidade vivida por aqueles povos. O tempo foi passando... Chegou a fotografia através da pintura de um quadro de uma pessoa, de uma paisagem natural, isto sem modificação do ambiente. Enfim, a fotografia através de uma câmera fotográfica analógica com doze, vinte e quatro ou trinta e seis poses. Ainda assim, muito difícil alterar a realidade fotografada, era, de fato, o visual real... Faz uma pose. Não se mexe. “Olha o passarinho”. Tudo isso para que a imagem fosse a mais perfeita possível. A pintura, a câmera fotográfica, cinema, televisão, símbolos da automatização da criação e reprodução da imagem. Segundo Barthes, “a fotografia adere o real.” Até aqui se tinha a representação do real através do filme fotográfico, da pintura.
Imagem 2
Enfim, o megapixel, a selfie... Foi o fim da câmera de filme fotográfico? Foi o fim da pintura?  O que se sabe é que com a evolução tecnológica, a pose, hoje, é alterada, o movimento é alterado, o ambiente é alterado, a cor da imagem é alterada, enfim, tudo pode ser alterado para uma perfeita resolução, para uma perfeita imagem, ou seja, a fotografia digital através do pixel. O megapixel traz uma imagem não como representação do real, mas como um simulacro da realidade, pois o pixel é a expressão visual, materializada na tela de um cálculo efetuado pelo computador conforme instruções de um programa.
Com todo esse aparato fotográfico tecnológico, que imagens buscamos? Uma representação do real ou um simulacro da realidade?

Referência
COUCHOT, Edmond. Da representação a simulação. Evolução das técnicas e das artes da figuração

Imagem 1.

Imagem 2.


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